Tuesday, September 29, 2009

Um post pessoal

Este texto é pessoal. Destina-se a partilhar com o mundo algo que me aconteceu, em jeito de terapia de grupo, mas também serve – espero eu – para ajudar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo. Portanto, bloggers detractores, podem ir para o próximo blog; dispenso as vossas críticas negativas.

Ontem à noite, tive uma crise de ansiedade grave.

Como sempre, desde há já muito tempo, deitei-me na cama sabendo que não conseguiria dormir, porque sofro de insónias. É impressionante como o cérebro é uma máquina tão potente, mas tão letal ao ponto de fazer com que o cansaço físico seja um mal menor, comparado com a torrente de pensamentos que nos atormentam. Há meses que, todas as noites, me deito e penso em tudo: no fim da minha relação, nos fracassos das minhas relações presentes, nos meus comportamentos, na falta de rumo geral da minha vida e nas coisas estúpidas que digo e que faço. Em certa parte, um dos defeitos das pessoas que sofrem de problemas de ansiedade e depressão é o perfeccionismo, e este costuma dar sinais de vida quando a pessoa precisa de descansar.

Ninguém nota, normalmente. Ando por aí, faço o que tenho a fazer, sou uma pessoa sociável, passo-me da cabeça como toda a gente, mas não dou grandes sinais de ter um desiquilíbrio químico. Oculto o facto de tomar uma medicação especial todos os dias, até porque se não a tomar não começo a espumar da boca, ou a matar pessoas. Simplesmente, fecho-me no meu mundo e sou incapaz de comunicar ou de me relacionar com quem quer que seja.

Sabendo a sociedade em que estou neste momento inserida – classista, preconceituosa, machista e conservadora – falar deste tipo de situações é quase um suicídio social. Isto quer dizer que, se eu me abrisse, haveria potenciais pretendentes que fugiriam de mim a sete pés, porque ninguém quer nada com uma rapariga com problemas. Sei que há amigos que rapidamente deixariam de o ser, porque ninguém tem pachorra para alguém melancólico e por vezes, imprevisível. No entanto, eu tenho de mandar essas coisas todas à merda, porque não sou hipócrita. O primeiro que nunca chorou, ou que nunca teve vontade de morrer que atire a primeira pedra. Se não o admitir, é porque é mentiroso.

Tomar decisões e fazer escolhas, como a que eu fiz há onze meses atrás, para alguém com as minhas características, é muito mais do que um desafio: pode ser um potencial salto para o abismo. Uma pessoa que sofre de depressão nunca deve deixar a estabilidade para trás, sob pena de perder a razão. O problema está em que eu sofro de depressão, mas sou demasiado rebelde e teimosa para aceitar uma qualquer estabilidade. O objectivo a atingir, aqui, é a felicidade, não o marasmo.

Nas minhas andanças nestes meses, enquanto alguém com uma sensibilidade fora do normal, tenho sido violentamente agredida: são os amigos que só servem para os copos e para as quecas; é o trabalho em que nos querem ver pela porta fora, por muito competentes que sejamos; é a falta de oportunidades para explanar o nosso potencial profissional; são os amantes que, eles mesmos não sabendo o que querem, não nos sabem certamente amar.

E, em certos momentos, não dá para aguentar. Uma pessoa tenta, engole, comporta-se de acordo com a situação, reclama, luta, não dá parte de fraca e, um dia, a máscara colapsa. É como estar-se entalado entre dois espelhos, sem escapatória, e tudo o que vemos é a nossa figura, de um lado e de outro. Bloqueados e manietados mentalmente.

Ontem foi o cúmulo. Nem sequer se pode dizer que tenha havido uma causa para, mas a acumulação de todas as dores foi demais. Eram cinco da manhã, não conseguia dormir nem parar de chorar. A opção mais racional que fiz foi vestir-me, pegar nas chaves do carro e ir a correr para casa dos meus pais, de onde escrevo estas linhas. Pelo menos, tenho um sítio para onde ir.

Estou melhor, mais tranquila e consigo ver as coisas com mais claridade. Vai ser a partir de agora que vou deixar a imagem de mim, naquela estação de comboios, cheia de malas, e com toda a minha vida dentro de caixas, e que a vou substituir por uma imagem de mim mais construtiva e real: eu mesma, ainda que isso implique afastar pessoas da minha vida. Afinal, penso que de estímulos negativos, já tive que cheguem...

No comments:

Post a Comment