Friday, September 25, 2009

Apenas Honestidade.

Está quase a fazer um ano que decidi mudar a minha vida para sempre. Na noite de 31 de Outubro, de certeza que me verão algures pelo Bairro Alto, a comemorar o facto de ter tido coragem para deixar para trás todas as coisas que tomava como certas. Uma semana depois, estava eu numa estação de comboios, cheia de malas, com tudo o que tenho dentro de caixas, indo para um destino incerto.

Lembro-me do medo que senti, e da incerteza de não saber se tinha tomado a decisão correcta. Mas também me lembro de pensar que, fosse o que fosse, eu tinha feito uma escolha escutando aquela vozinha dentro de mim. Ainda tenho dúvidas, e reconheço que tenho tido muitas dificuldades em adaptar-me. Em muitos aspectos, a minha vida actualmente está um caos: estar-se só pode ser uma opção, mas a solidão não o é. E não me refiro ao aspecto romântico da coisa, falo realmente do que é deixar-se tudo para trás, e ter de se recomeçar em todos os sentidos. O que nunca pensei foi que fosse mais difícil no sítio onde nasci do que no meu país de adopção.

Ás vezes, tenho sonhos que são como se a minha vida se tivesse fragmentado em duas: se nada tivesse mudado, teria sido bem sucedida como freelancer, teria casado no dia 7 de Julho deste ano, seria cidadã espanhola, e teria uma existência tranquila. Em certos aspectos, é como se essa vida continuasse, mas sem me ter lá.

Em onze meses, conheci muitas pessoas. A maior parte delas revelou ser como degraus num processo de aprendizagem que tem posto à prova a minha capacidade de me manter íntegra e fiel àquilo em que acredito. Como me disseram uma vez: "Você está de se apanhar do chão às colheres, claro que se vai rodear de pessoas que não lhe vão fazer bem!". Num plano abstracto, isto é verdade: colhemos aquilo que semeamos, e se semeamos ventos, decerto vamos colher tempestades. Não podemos esperar muito dos outros se, na verdade, não esperamos nada de nós mesmos...

Congratulo-me, no entanto, pelos momentos em que as coisas não foram tão negativas, e em que realmente entraram pessoas na minha nova vida que merecem tudo aquilo que lhes possa dar. Foi com orgulho que pude sentar oito pessoas numa mesa de jantar, para celebrar o meu dia de anos - nada mau para uma miúda cuja vida está um pouco caótica, não é? Ainda bem que estas pessoas existem, e agora vou poder aprender com elas como conservá-las perto de mim.

Tem sido uma viagem incrível.
As mudanças são assim: nunca podemos antecipar o que vai acontecer, ou como vai acontecer. Tudo depende das escolhas que fazemos, e é certo que muitas vezes as fazemos sem pensar, o que resulta normalmente em problemas, ou mais mudanças. Há dias em que dá vontade de carregar no botão do rewind e voltar àquele momento em que a vida se fragmentou em duas. É quando se percebe que não se pode estar em dois sítios ao mesmo tempo. Perde-se o fio à meada, perdem-se as pessoas, as rotinas... e a vida continua, sem se compadecer.

Mas tudo bem. Se for realmente honesta comigo, sei que fiz o que tinha de fazer e que agora está na altura de me mentalizar de que é aqui que tenho de estar. Inteira. E que tenho de refazer a minha vida, sozinha, num ambiente que embora hostil, tem os seus encantos.

Vou-me pôr de pé outra vez, leve o tempo que levar. Força para quem tem de o fazer também.






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