Terminei agora um DJ set no Second Life.
Isto é daquelas coisas que requer explicações da minha parte, explicações essas que agora não me apetece muito dar. Em poucas palavras, todas as terça-feiras faço exerço uma actividade online para todo o mundo, que em Lisboa me vedam, porque não pertenço a nenhum clube restrito de pseudo-intelectuais.
E há um mundo virtual, onde pessoas de todo o mundo podem deixar a sua pele real para trás e ser simplesmente o que querem, sem grandes regras ou obrigações. O Second Life seria o mais próximo daquilo que eu imagino como sendo uma sociedade anarquista, a sociedade em que eu gostaria de viver.
Não digo que ser DJ seja o sonho da minha vida, mas permite-me comunicar com outras pessoas através da música de que gosto, e aproxima-me de comunidades com as quais me sinto identificada, de uma forma que eu sei que é impossível na vida real. Existem demasiados constrangimentos... se calhar, é por causa disso que nós, seres humanos, estamos cada vez mais isolados...
Criar uma personagem no Second Life e viver essa vida paralela tem-me ensinado milhares de coisas sobre mim. Tenho aprendido a sair da casca, a ser eu mesma, a dizer aquilo que tenho para dizer, e a viver a vida real de uma forma muito mais livre. A maior parte das pessoas não entende como é que um conjunto de bonequinhos perfeitos, operados por sabe-se lá quem e onde, pode interagir de formas tão intensas – ou mais – do que na vida real. Essa foi a permissa que me intrigou e que me levou a entrar nesse mundo.
E, contra o meu sentido de racional, fiz amigos de carne e osso, apaixonei-me, ri-me, chorei, apanhei bebedeiras, e conheci pessoas cuja forma de pensar poderia revolucionar o mundo. Na verdade, tudo no Second Life é real, e poderia ser MESMO real se alguém cá fora estivesse disposto a escutar – se ainda houvesse humanidade.
No entanto, somos forçados a ser escravos das conveniências, e a calar-nos, porque somos números. Em certa parte, a nossa humanidade está contida em bonecos feitos de pixels...
O meu próximo desafio na vida real: encontrar um dance pole na vida real, e dançar nele até cair para o lado, com toda a gente a ver.
Wednesday, September 16, 2009
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