Monday, October 12, 2009

Estaca Zero

Admitir a dor.
Assumir o sentimento de culpa.
Perceber que, que queiramos ou não, a vida não se compadece das nossas decisões, mas que não se pode simplesmente fugir para a frente.
Curar as feridas.
Dar um tempo para elas sararem.
Amar o passado, e nunca esquecer quem não nos esquece.
Aprender para dentro.
Fazer listas de tarefas e cumpri-las.
Não mentir ao próprio.
Escrever sobre o assunto.

Esta é parte da minha Estaca Zero, o ponto em que recomeço realmente a minha vida depois da ruptura. Vai ser um bocado como deixar de fumar: acho que vou andar de mau-humor e que não vou ser a melhor companhia para ninguém. Não vou ser fabulosa, porque não me sinto minimamente fabulosa – embora tenha umas roupitas novas que enfim :-)

Sei que vão haver pessoas que se vão afastar, e na verdade, não as censuro. É mais seguro para nós mesmos fugir de um comboio prestes a descarrilar, do que ficar à espera de ver se o maquinista o consegue controlar. Na mesma posição, até eu fugiria de mim! É possível que diga coisas parvas, ofensivas, ou que seja mal-interpretada. Não vou andar por aí a mostrar-me, porque não tenho nada para mostrar. Não há razões para celebrar, nem para ir beber copos.

A parte da lista correu bem, hoje. Mas, a parte da lista que tinha a ver com trabalho, nem por isso. Ser a minha própria chefe é muito complicado – trabalhar em casa É extraordinariamente complicado. Confesso que ainda não me sinto preparada para enfrentar o mundo do freelance, mas também sei que é uma questão de sobrevivência. No entanto, tenho estado tão frágil nestes dias que penso que talvez fosse um bocado demais exigir tanto de mim mesma. As ideias estão aqui, eu sei o que tenho de fazer para as concretizar. Só que para me poder vender, agora mesmo, tenho de acreditar em mim e, francamente, como disse acima, até eu fugiria de mim...

Talvez esta coisa do blog até não seja má ideia, também. Escrever ajuda-me a pôr as ideias em ordem, e até pode ser que se alguém se vir na mesma situação que eu se possa sentir identificado, e quem sabe se isto não poderá ajudá-lo/a. Eu ficava contente se assim fosse: eu fico contente quando as outras pessoas estão contentes.

Eu sei, é idiota escrever na agenda “Ponto 3 – comer”. Mas, graças a esse ponto, hoje fiz um bom jantar para mim. Considerando que eu quase não como, ou então só como gelados e pizzas e comida japonesa take away, não está mal. Não creio, no entanto, que esteja ainda preparada para enfrentar alguns aspectos do mundo exterior, sendo que muitos deles envolvem pessoas. Pessoas complicadas, chatas, com os seus problemas próprios que decidiram não resolver. Pessoas, no fundo, como eu...

Será que amanhã conseguirei, finalmente, trabalhar? Isso era excelente...

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